← Recursos Barómetro HeraPrime 2026 · Inteligência artificial 5 de novembro de 2026 3 min de leitura
Inteligência artificial nas empresas: do uso pessoal ao processo
A inteligência artificial já entrou em 68% das empresas inquiridas no Barómetro HeraPrime 2026. Entrou pela mão de cada pessoa, para escrever, resumir e analisar, e não como parte dos processos da empresa. Só 14% a usam de forma regular e estruturada. Este artigo mostra o que isso significa e como dar o passo seguinte sem abrir uma porta nova à segurança.
Resposta direta: como passar a IA de uso pessoal a processo da empresa?
Escolhendo um processo concreto, com dados da empresa, em que a IA passa a fazer parte do trabalho da equipa e não apenas de uma pessoa. O processo tem de ter dono, dados organizados, regras de acesso definidas e uma forma de medir o resultado. Não é preciso uma ferramenta nova: na maioria das empresas, o ponto de partida é a ferramenta que já usam.
O que mostra o Barómetro
| Uso de inteligência artificial | % |
|---|---|
| Sim, de forma pontual e informal | 54% |
| Sim, de forma regular e estruturada | 14% |
| Não, mas estamos a avaliar | 21% |
| Não, e não está nos nossos planos | 11% |
- As utilizações mais comuns, entre quem usa: redação de conteúdos (72%), análise de dados e relatórios (69%), automatização de tarefas administrativas (41%).
- A barreira mais citada: não saber o que a IA pode fazer pelo negócio (44%). A seguir, falta de dados organizados (30%) e preocupações com segurança e privacidade (19%).
- 60% das empresas inquiridas apontam a IA e a automatização como prioridade de investimento para os próximos 12 meses. Só 24% dessas escolhem também a cibersegurança.
O que muda quando a IA passa a processo
Enquanto a IA é uso pessoal, o risco também é pessoal: alguém cola um documento numa ferramenta gratuita e o documento sai da empresa. Quando a IA passa a processo, com dados da empresa, o risco passa a ser da empresa:
- Quem acede a quê. Um assistente ligado ao email e aos ficheiros vê tudo aquilo a que a pessoa tem acesso. Se as permissões estão largas demais, a IA mostra-o.
- Que dados entram. Dados de clientes, salários e contratos não devem ir para ferramentas sem acordo de tratamento de dados.
- Como se recupera. Um processo automatizado que falha ou apaga dados tem de ter forma de voltar atrás.
É por isso que a IA começa a pesar na segurança precisamente no momento em que começa a dar resultado.
Três passos para o primeiro processo
- Escolher um processo repetitivo e mensurável. Exemplos que vemos resultar: resumo de reuniões e tarefas, primeira versão de propostas a partir de modelos, triagem de pedidos de suporte, conferência de faturas de fornecedores. Medir quanto tempo demora hoje.
- Arrumar os dados e as permissões antes de ligar a IA. Pastas partilhadas com acesso a toda a empresa, contas sem autenticação multifator e documentos sensíveis espalhados são o problema número um. Resolver isto é, ao mesmo tempo, preparar a IA e melhorar a segurança.
- Pôr a segurança no orçamento do projeto. A segunda recomendação do Barómetro: em vez de tratar a cibersegurança como projeto separado, que dificilmente ganha orçamento próprio, cada projeto de IA inclui no seu âmbito o controlo de acessos aos dados que usa e a forma de os recuperar. A segurança avança com o orçamento que já existe.
Perguntas frequentes
Que percentagem das empresas usa inteligência artificial?
Qual é a maior barreira à adoção de IA?
O Microsoft 365 Copilot é seguro para dados da empresa?
Este artigo faz parte da série sobre o Barómetro HeraPrime 2026. Barómetro HeraPrime 2026, 1.ª edição. Inquérito online a 57 empresas com atividade em Portugal, julho a setembro de 2026. Os resultados referem-se às empresas inquiridas.
Inteligência artificial
O primeiro processo com IA, com dados e acessos arrumados
30 minutos. Escolhemos um processo repetitivo e mensurável, vemos as permissões e os dados que ele usa e saímos com o plano para o pôr a funcionar com segurança.
