← Recursos Estudo próprio · Barómetro HeraPrime 2026 15 de outubro de 2026 6 min de leitura

Barómetro HeraPrime 2026: as empresas digitalizam-se mais depressa do que se protegem.

Publicámos hoje a 1.ª edição do Barómetro HeraPrime: 57 empresas até 250 pessoas, com atividade em Portugal, inquiridas entre 16 de julho e 30 de setembro de 2026. O retrato cabe numa frase: a digitalização de base está feita, a proteção do que se digitalizou não acompanhou. Este artigo resume os seis resultados principais e as três recomendações.

O relatório completo, as tabelas e os dados abertos estão em heraprime.com/barometro2026, sem formulário.

Resposta direta: o que diz o Barómetro HeraPrime 2026?

  • 76% das empresas inquiridas que apostam na inteligência artificial deixam a cibersegurança fora das prioridades de investimento.
  • 30% não sabem quanto tempo demorariam a retomar a atividade depois de uma falha total dos sistemas.
  • 12% têm um plano de continuidade documentado e testado.
  • 56% das que usam Microsoft 365, Google Workspace ou semelhante não assinalam autenticação multifator, uma proteção que a licença já inclui.
  • No índice de maturidade construído com as respostas, a componente digital tem em média 56 pontos em 100 e a de resiliência 39.

1. A digitalização de base está feita

Três em cada quatro empresas inquiridas (77%) trabalham com um software de gestão (ERP), 68% usam ferramentas de colaboração em cloud e 63% emitem faturação eletrónica. A inteligência artificial já entrou em 68% das empresas.

Ter os sistemas não significa tirar deles a informação. Só 39% recebem informação de gestão de forma automática. Outros 39% só veem os números no fecho do mês ou do trimestre e 19% dependem de preparação manual significativa. Os passos para pôr o ERP a produzir esses números estão no guia de controlo de gestão numa PME.

2. A IA entrou pelas pessoas, não pelos processos

Dos 68% que usam IA, a maioria fá-lo de forma pontual e informal (54% do total). Só 14% a usam de forma regular e estruturada. As utilizações mais comuns são escrever conteúdos (72% de quem usa) e analisar dados e relatórios (69%). A barreira mais citada não é o custo nem a segurança: 44% dizem não saber o que a IA pode fazer pelo negócio. Vimos o que as empresas já automatizam no artigo sobre o Copilot nas PME.

3. Os equipamentos estão protegidos; as contas e as pessoas, muito menos

As medidas que se compram e instalam estão generalizadas: cópias de segurança em 88% das empresas, antivírus em 81%, firewall gerida em 72%. As que dependem de configurar contas e preparar pessoas não estão: autenticação multifator em 35%, formação periódica em 21%, plano de resposta a incidentes em 12%.

Quase metade (47%) responde «não que tenhamos conhecimento» quando se pergunta se teve um incidente nos últimos dois anos. Sem forma de detetar, não ter visto um incidente não é o mesmo que não o ter tido.

4. Cópias sim, plano não

44% das empresas inquiridas não têm plano de continuidade para uma falha grave de sistemas. Das que têm o plano concluído, 68% nunca o testaram. E quando se pergunta quanto tempo demorariam a voltar a trabalhar depois de uma falha total, a resposta mais frequente a seguir a «entre 4 e 24 horas» (40%) é «não sabemos» (30%).

5. Faturação eletrónica sim, NIS2 não

60% sentem-se totalmente preparadas para a faturação eletrónica. No arquivo digital são 30% e na NIS2 só 9%. A maioria (56%) diz nem conhecer a NIS2, o regime de cibersegurança em vigor desde abril de 2026. Ver o guia NIS2.

6. A IA lidera o investimento; a cibersegurança fica muito atrás

Para os próximos 12 meses, 60% apontam a IA e a automatização como prioridade e 23% a cibersegurança. Só um quarto das empresas que escolhem a IA (24%) escolhe também a segurança. O obstáculo mais referido é a falta de tempo para gerir a mudança (51%), à frente do custo (37%).

O índice: o digital vai à frente em três de cada quatro empresas

Juntámos as respostas num índice de 0 a 100 com quatro eixos: sistemas, inteligência artificial, segurança e continuidade. Os dois primeiros medem o quanto a empresa se digitalizou; os dois últimos, o quanto está preparada para que isso não se torne um risco.

Empresas inquiridasDigitalResiliência
Todas5639
11 a 250 pessoas6148
Até 10 pessoas5027

No índice global, as microempresas ficam em média nos 38 pontos e as empresas de 11 a 250 pessoas nos 55. 75% das empresas têm uma pontuação digital maior do que a de resiliência. Há um grupo onde o desequilíbrio pesa mais: 42% têm o digital acima de meio da escala e a resiliência abaixo. Neste grupo, 83% usam IA, 29% usam autenticação multifator e nenhuma tem um plano de continuidade testado.

«As empresas fizeram a parte mais difícil, que foi digitalizar-se. O que falta é, muitas vezes, ligar proteções que já pagaram e testar o que acontece quando algo falha. Não é preciso um grande programa: é preciso começar por um processo e saber quanto tempo demora a voltar.»
Paulo Lobo, diretor comercial da HeraPrime

As três recomendações

  1. Ativar o que já está pago. Antes de comprar segurança nova, rever o que as licenças atuais já incluem e não está ligado, a começar pela autenticação multifator em todas as contas, incluindo as de administração.
  2. Pôr a resiliência dentro do orçamento da IA. Cada projeto de IA ou automatização passa a incluir, no seu âmbito e no seu custo, o controlo de quem acede aos dados que usa e a forma de os recuperar se algo correr mal.
  3. Nas microempresas, comprar serviço e não ferramentas. Onde falta tempo e faltam pessoas, faz mais sentido entregar a gestão das cópias, das contas e das atualizações a quem o faça como serviço, com um teste de recuperação pelo menos uma vez por ano.

Nas próximas semanas

Vamos publicar um artigo por semana sobre cada tema do estudo: autenticação multifator, continuidade de negócio, inteligência artificial, informação de gestão, microempresas e obrigações legais.

Compare a sua empresa

A autoavaliação do Barómetro usa as mesmas perguntas e a mesma fórmula do índice e mostra onde a sua empresa fica face às 57 inquiridas. Demora cinco minutos.

Perguntas frequentes

Quem respondeu ao Barómetro HeraPrime 2026?
57 empresas até 250 pessoas com atividade em Portugal, clientes e não clientes da HeraPrime: 42% microempresas, 39% de 11 a 50 pessoas e 19% de 51 a 250. Em 61% dos casos respondeu a administração ou a direção geral. O inquérito decorreu online entre 16 de julho e 30 de setembro de 2026.
Posso usar os dados do Barómetro?
Sim. A tabela agregada de todas as perguntas e respostas está disponível em CSV com licença CC BY 4.0, em heraprime.com/barometro2026. Cite como «Barómetro HeraPrime 2026: O Estado da Tecnologia nas Empresas Portuguesas, 1.ª edição».
Haverá uma 2.ª edição?
Sim. O Barómetro é anual, com as mesmas perguntas-âncora para permitir comparar a evolução.

Fonte: Barómetro HeraPrime 2026: O Estado da Tecnologia nas Empresas Portuguesas, 1.ª edição. Inquérito online a 57 empresas com atividade em Portugal, julho a setembro de 2026. Os resultados referem-se às empresas inquiridas.

Barómetro HeraPrime 2026

Do índice ao plano, em 30 minutos

Vemos eixo a eixo onde está a sua empresa, o que já está pago e por ligar nas licenças atuais e qual é o primeiro processo a testar. Sai com a lista do que fazer antes de comprar seja o que for.