← Recursos Setores · Hotelaria e Turismo 24 de agosto de 2026 11 min de leitura

RevPAR, ADR e GOP — as contas do hotel quando as dormidas param de crescer.

«O Algarve já não espera crescimento» e os hotéis de Lisboa dão conta de um verão difícil: foi assim que a imprensa económica abriu agosto de 2026. Quando as dormidas param de crescer, a gestão deixa de se fazer à taxa de ocupação e passa a fazer-se ao cêntimo por quarto disponível. Este guia põe as contas no lugar (RevPAR, ADR, TRevPAR, GOPPAR e CostPAR), com fórmulas, exemplos, calculadora e os números do INE para Portugal. E mostra a parte que o Excel já não resolve: saber quanto custa, e não só quanto rende, cada quarto disponível.

Resposta direta: as seis contas, numa tabela

Todos os indicadores desta família respondem à mesma pergunta (quanto vale um quarto disponível), mas cada um olha para uma fatia diferente da operação. A tabela é o mapa; as secções seguintes explicam cada conta com fórmula e exemplo.

Indicador Fórmula O que mede O que não vê
Taxa de ocupação Quartos vendidos ÷ quartos disponíveis Quanto do inventário se vendeu A que preço se vendeu
ADR Receita de alojamento ÷ quartos vendidos A tarifa média realmente praticada Os quartos que ficaram vazios
RevPAR Receita de alojamento ÷ quartos disponíveis
(= ADR × ocupação)
Receita de alojamento por quarto disponível F&B, spa, eventos e todos os custos
TRevPAR Receita total ÷ quartos disponíveis Receita completa por quarto disponível Os custos
CostPAR Custos operacionais ÷ quartos disponíveis O custo de manter cada quarto disponível A receita
GOPPAR GOP ÷ quartos disponíveis Resultado operacional bruto por quarto disponível Custos de capital, rendas, impostos

O que é o RevPAR e como se calcula

O RevPAR (Revenue per Available Room, receita por quarto disponível) é a receita de alojamento dividida pelo número de quartos disponíveis (vendidos ou não) num dado período. É o indicador de referência da hotelaria porque junta as duas metades do desempenho comercial num só número: o preço a que se vende (ADR) e a fração do inventário que se vende (ocupação).

A fórmula do RevPAR

Há duas formas de chegar ao mesmo número, e é útil dominar as duas:

  • RevPAR = receita de alojamento ÷ quartos disponíveis: a forma direta;
  • RevPAR = ADR × taxa de ocupação: a forma que mostra as alavancas.

«Quartos disponíveis» é o inventário multiplicado pelas noites do período, descontando quartos fora de serviço (obras, avarias). «Receita de alojamento» é só o valor dos quartos: sem pequeno-almoço, F&B, spa ou city tax, e antes de comissões de canais, salvo se estiverem a medir o RevPAR líquido (NetRevPAR).

Exemplo prático

Um hotel de 80 quartos, num mês de 30 dias, tem 80 × 30 = 2 400 quartos-noite disponíveis. Vendeu 1 680 quartos-noite (ocupação de 70%) e faturou 151 200 € de alojamento. As contas:

  • ADR = 151 200 € ÷ 1 680 = 90 €
  • RevPAR = 151 200 € ÷ 2 400 = 63 € (ou 90 € × 0,70)

Em síntese

O RevPAR mede a receita de alojamento por quarto disponível, não por quarto vendido. É por isso que um hotel cheio a tarifa baixa e um hotel meio vazio a tarifa alta podem ter o mesmo RevPAR, e problemas completamente diferentes.

ADR: a tarifa média por quarto ocupado

O ADR (Average Daily Rate, tarifa média diária) é a receita de alojamento dividida pelos quartos vendidos. É a resposta à pergunta «a que preço estamos realmente a vender os quartos?», que raramente coincide com o preço de tabela, porque o ADR já leva dentro os descontos, as tarifas de grupos e corporate e o mix de canais. Um hotel com tarifa de balcão de 120 € pode ter um ADR de 90 €: a diferença é o retrato do mix comercial, não um erro.

RevPAR vs ADR: a diferença que importa

A diferença está no denominador: o ADR divide pelos quartos vendidos, o RevPAR pelos quartos disponíveis. O ADR responde «a que preço vendemos?»; o RevPAR responde «quanto rende o inventário inteiro?». Lidos em conjunto, contam a história completa:

  • ADR a subir, RevPAR a cair: estão a vender mais caro a menos gente; a subida de tarifa não compensou a ocupação perdida.
  • ADR a cair, RevPAR a subir: compraram ocupação com desconto; a receita cresce, a margem logo se vê (é o CostPAR que o diz).
  • Os dois a subir: procura real; é o cenário que os últimos anos de turismo em Portugal habituaram o setor a considerar normal. Deixou de ser garantido.

TRevPAR, GOPPAR e CostPAR: as contas da margem

O RevPAR tem dois pontos cegos: ignora a receita que não é alojamento e ignora todos os custos. Em anos de procura a crescer, esses pontos cegos perdoam-se. Quando as dormidas estagnam, é neles que a gestão se decide.

TRevPAR — a receita completa

O TRevPAR (Total Revenue per Available Room) divide a receita total do hotel (alojamento, restauração, bar, spa, eventos, estacionamento) pelos quartos disponíveis. No nosso hotel de exemplo, se aos 151 200 € de alojamento se somarem 64 800 € de F&B e eventos, a receita total é 216 000 € e o TRevPAR é 90 €, contra um RevPAR de 63 €. Num hotel com F&B forte, gerir só pelo RevPAR é gerir com um olho tapado.

CostPAR — o custo de cada quarto disponível

O CostPAR (Cost per Available Room) faz a conta simétrica: custos operacionais divididos pelos quartos disponíveis. Se o hotel de exemplo tem 168 000 € de custos operacionais no mês (pessoal, energia, consumíveis, comissões, manutenção), o CostPAR é 70 €. E é aqui que a conversa muda: um TRevPAR de 90 € com um CostPAR de 70 € deixa 20 € de resultado por quarto disponível. Se os custos operacionais subirem 10%, o CostPAR passa a 77 € e a margem cai para 13 €: um terço a menos, sem que o RevPAR mexa um cêntimo.

GOPPAR — o resultado, por fim

O GOPPAR (Gross Operating Profit per Available Room) divide o GOP (resultado operacional bruto, receita total menos custos operacionais) pelos quartos disponíveis. No exemplo: (216 000 € − 168 000 €) ÷ 2 400 = 20 €. É o indicador que os investidores e as cadeias olham primeiro, porque é o único desta família que não se deixa enganar: sobe quando a operação melhora de facto, e não apenas quando se vende mais caro ou mais cheio.

Calculadora: ocupação, ADR, RevPAR, TRevPAR e GOPPAR

Ponham os números do vosso último mês fechado. Os campos «receita total» e «GOP» são opcionais; sem eles, a calculadora devolve os indicadores de alojamento.

Calculadora de indicadores hoteleiros

Quartos-noite disponíveis
Taxa de ocupação
ADR
RevPAR
TRevPAR
GOPPAR

Os cálculos correm no vosso navegador; nada é enviado nem guardado.

RevPAR em Portugal: os números do INE

Para saber onde está a fasquia, os dados oficiais são do INE, publicados mensalmente nas estatísticas da atividade turística e compilados no TravelBI do Turismo de Portugal. O retrato de 2025, o último ano fechado:

Indicador (2025, alojamento turístico) Valor Variação
Hóspedes34,8 milhões+2,2%
Dormidas89,7 milhões+1,6%
RevPAR nacional72,4 €+4,4%
RevPAR no Algarve78,4 €3.º mais elevado do país
Dormidas no Algarve−0,2%, primeira queda desde 2020

A leitura destes números vale mais do que os números: as dormidas nacionais desaceleraram e o Algarve encolheu pela primeira vez em cinco anos, mas o RevPAR continuou a subir. Ou seja, o crescimento passou a vir do preço, não do volume. A análise do ECO aos dados de 2025 documenta o padrão. Preço sem volume tem um teto, e é por isso que as previsões do setor para 2026 abriram o ano em tom conservador, sobretudo em Lisboa.

Duas notas de método antes de compararem os vossos números com estes: a média nacional mistura segmentos, regiões e categorias: um hotel económico de cidade e um resort de cinco estrelas não jogam no mesmo campeonato; e num destino sazonal a única comparação honesta é com o mês homólogo, porque comparar agosto com janeiro mede a sazonalidade, não a gestão.

Quando as dormidas param de crescer, a conta que decide é o CostPAR

Enquanto a procura cresce, todos os erros de custo se escondem dentro da receita. Quando estagna, ficam à vista, e a diferença entre um ano difícil e um ano mau passa a estar em saber, por unidade e por departamento, quanto custa cada quarto disponível. Esse número não vive no PMS: vive na contabilidade, nas fichas técnicas de F&B, no processamento de salários e nas escalas. O PMS sabe o RevPAR; o GOPPAR e o CostPAR só existem quando o PMS e o ERP falam. (Se a dúvida for anterior e for sobre o que é e o que faz um ERP, está respondida em ERP: o que é.)

É esse o trabalho que fazemos em hotéis com o Cegid Primavera: integração com o PMS (Fidelio, Opera, Protel, Newhotel, Host) para que cada check-out produza fatura e a reconciliação seja diária e automática; fichas técnicas de F&B ligadas a stock e custo real; escalas e RH dimensionados à ocupação; e dashboards em Power BI com ocupação, RevPAR, CostPAR e GOP, alimentados pelos dois sistemas, todos os dias, sem Excel pelo meio. O Hilton Vilamoura e o Conrad Algarve, no Algarve, estão entre os nossos clientes com esta integração do Cegid ao PMS hoteleiro. O detalhe do que isto significa numa operação hoteleira (prazos, PMS suportados, preços de implementação) está na página HeraPrime para hotelaria e turismo.

Uma nota de fronteira, porque a confusão é comum: nada disto é revenue management. Definir tarifas dinâmicas é disciplina própria, com ferramentas próprias (Duetto, IDeaS, RateGain). O que o ERP garante é que as tarifas, a ocupação e a receita dessas ferramentas reconciliam com a contabilidade e aterram no mesmo reporting. Quem vos prometer as duas coisas no mesmo software está a vender uma delas mal.

Se estes números vos parecem impossíveis de apurar com o sistema que têm, há dois caminhos de leitura antes de qualquer conversa comercial: os sinais que distinguem um problema de sistema de um problema de processo estão em Quando (e quando não) trocar de ERP; e o lado das pessoas (escalas, férias, comunicação com equipas com 80% de rotação anual) está em Portal do colaborador: o que é e o que resolve. Quando quiserem passar dos artigos aos vossos números, peçam um diagnóstico de 30 minutos: saímos da chamada com o mapa do que existe, do que falta e do preço de o fechar.

Perguntas frequentes

O que é um bom RevPAR em Portugal?
Não existe um valor universal: o RevPAR depende do segmento, da região e do mês. Como referência, o RevPAR médio do alojamento turístico em Portugal foi de 72,4 € em 2025, segundo os dados do INE, mas um hotel económico de cidade e um resort de cinco estrelas no Algarve vivem em escalas diferentes. A comparação que serve para gerir é com o próprio hotel no mês homólogo do ano anterior e com o conjunto de concorrentes direto (compset), não com a média nacional.
Qual é a diferença entre RevPAR e TRevPAR?
O RevPAR considera apenas a receita de alojamento; o TRevPAR (Total Revenue per Available Room) soma toda a receita do hotel (restauração, bar, spa, eventos, estacionamento) e divide pelo mesmo número de quartos disponíveis. Num hotel onde o F&B e os eventos pesam, o RevPAR pode estar estável enquanto o TRevPAR cai, ou o inverso. O TRevPAR é o indicador mais honesto do lado da receita; nenhum dos dois vê os custos.
O RevPAR inclui pequeno-almoço, spa ou restauração?
Não. O RevPAR usa apenas a receita de alojamento, o valor dos quartos, sem F&B, spa, eventos ou outros extras. Quando o pequeno-almoço está embutido na tarifa, a parte correspondente deve ser separada contabilisticamente para não inflacionar o indicador. Para medir a receita completa por quarto disponível existe o TRevPAR.
Como se pode subir o RevPAR sem baixar a tarifa?
O RevPAR é ADR vezes ocupação, por isso as alavancas são o mix e não só o preço: encher noites de época baixa e de meio da semana (grupos, corporate, MICE), aumentar a estadia média para diluir custos de rotação, deslocar reservas de canais com comissões altas para reserva direta (o que melhora o RevPAR líquido) e segmentar tarifas por antecedência e flexibilidade em vez de descontar em bloco. Cortar tarifa compra ocupação mas destrói ADR, e num mercado com procura estagnada é a espiral clássica.
Que dados são precisos para calcular o RevPAR, e de onde vêm?
Três números: quartos disponíveis no período (quartos vezes noites, excluindo os fora de serviço), quartos-noite vendidos e receita de alojamento. Os três vivem no PMS (Property Management System), e é por isso que qualquer PMS mostra o RevPAR. O problema começa quando a receita do PMS e a da contabilidade não batem certo (ajustes, no-shows, city tax, comissões), e é aí que a reconciliação entre PMS e ERP deixa de ser um detalhe.
Que software calcula o RevPAR, o GOPPAR e o CostPAR automaticamente?
O RevPAR, qualquer PMS mostra. O GOPPAR e o CostPAR, não: precisam dos custos operacionais, que vivem na contabilidade, não no PMS. Para os ter em dashboard diário é preciso que o PMS e o ERP estejam integrados e reconciliados: é esse o trabalho que a HeraPrime faz com o Cegid Primavera em hotéis, com dashboards de ocupação, RevPAR, CostPAR e GOP em Power BI alimentados pelos dois sistemas.

Diagnóstico hotelaria

Sabem quanto rende, e quanto custa, cada quarto disponível?

30 minutos com o Apoio Comercial da HeraPrime sobre os números da vossa operação: de onde sai hoje o RevPAR (PMS), onde se apura o GOP (contabilidade) e o que falta para os dashboards de RevPAR, CostPAR e GOPPAR saírem sozinhos, todos os dias, do Cegid Primavera integrado com o PMS. Saímos com o mapa do que existe, do que falta e do preço de o fechar.